Menor de 15 anos casa-se com adulto para aliviar-se da fome em Nampula

Por: Melvin Arthur, Activista e parceiro da JA/Provincia de Nampula

Uma menor de 15 anos de idade, cuja identidade omitimos, natural do distrito de Palma, província de Cabo Delgado, foi forçada pelos seus progenitores a casar-se com um adulto de aproximadamente 45 anos como forma de aliviar-se da fome que afecta a sua família.

A menor, que atribuímos o nome de Angela, fora acolhida no bairro de Carrupeia, na cidade de Nampula, desde maio do ano passado quando, juntamente com mais outros 19 membros da sua família, escolheu a capital do norte de Moçambique (Nampula), como um lugar seguro para refugiar-se dos ataques terroristas no distrito de Palma.

Sem apoios, entre eles alimentar e de abrigos, das autoridades governamentais e de organizações humanitárias, os pais da pequena Ângela, segundo contou, decidiram por força-la a casar-se com um adulto de 45 anos, também casado com mais uma outra mulher, como forma deste continuar a canalizar ajuda, principalmente alimentar, para garantir a sobrevivência dos demais membros da sua família.

Negociado o casamento, Angela passou a viver com o seu primeiro marido numa casa arrendada pelo mesmo, localizada no bairro de Carrupeia, posto administrativo municipal de Napipine.

“Meus pais aconselharam-me a casar-me com o tal homem, como forma de descongistionarmos, primeiro, a casa que não tem muita capacidade de acolher muita gente e falta de comida. Foi uma decisão tomada pelos meus pais que, infelizmente, não tinha de recusar”, contou Angela.

O casamento da Angela, que não durou pelo menos um ano, gerou uma gravidez que acabou resultando em nado morto. “Depois de perder o bebe, acabei por abandonar a casa, contra vontade dos meus pais”, disse para depois acrescentar que não está arrependida, apesar das dificuldades alimentar e de abrigo que actualmente atravessa.

Em Nampula, o casamento e a prostituição infantil, tem vindo a ganhar lugar, nos últimos tempos, sendo os deslocados dos distritos afectados pelos ataques terroristas de Cabo Delgado o rosto principal desta realidade.

Muitas famílias de deslocados de guerra que vivem na cidade de Nampula, tem reclamado de exclusão de apoio por parte das organizações. Entretanto, alguns dos deslocados pedem esmolas em mesquitas, ruas, e em alguns estabelecimentos comerciais para a sua sobrevivência

Refira-se que a província de Nampula conta com pouco mais de 70 mil deslocados de ataques terroristas de Cabo Delgado, na sua maioria a residir em casas de familiares e de renda.

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