9oWorkshop de Maputo sobre Impunidade Corporativa e Direitos Humanos

29 de Julho a 1 de Agosto 2025, Hotel Glória, Maputo – Moçambique
Em 2025, no meio de enormes mudanças geopolíticas, crises e genocídios televisionados e invisibilizados em todo o mundo, o continente africano continua a ser um importante local de reprodução do brutal capitalismo fóssil global – mas também de luta e resistência contra ele. Aquilo a que estamos a assistir não é novo: desde a privatização dos bens comuns às crises eleitorais e constitucionais à austeridade a retrocessos nos direitos das mulheres à intensificação das formas de extracção e ecocídio às guerras e à repressão dos activistas políticos e ambientais… estamos sim a viver formas de acumulação alargadas e aceleradas, ao mesmo tempo que somos atingidos por um colapso climático e ecológico total para o qual contribuímos muito pouco. Estes e outros fenómenos estão ligados ao capitalismo, seja porque o capitalismo os alimenta e deles beneficia, seja porque são consequências mais ou menos directas do capitalismo, seja simplesmente porque são o seu terreno fértil.
As crises profundas na região africana têm as suas raízes, entre outros factores, na forma como a riqueza da nossa terra e do nosso povo continua a ser pilhada internacionalmente por empresas transnacionais, facilitada por estruturas de acumulação herdadas do colonialismo. Para enfrentar a ameaça existencial da crise climática, a nossa resposta tem de ser radicalmente descolonial, anti-patriarcal e anti-capitalista.
Esperamos que o 9º Workshop de Maputo sobre Impunidade Corporativa e Direitos Humanos sirva como um espaço de intercâmbio entre movimentos e organizações em torno da protecção dos direitos das comunidades e do ambiente. É um apelo para nos envolvermos verdadeiramente no nosso compromisso colectivo de mudar o sistema actual. Como é que nos reconectamos com os nossos valores africanos para construir um paradigma de desenvolvimento que seja centrado nos povos e em linha com a visão africana da dignidade humana? Que formas de solidariedade (transnacionais, transversais, feministas, etc.) são necessárias neste preciso momento, e como aprofundá-las? Como é que estamos a planear as nossas necessidades imediatas e a nossa sobrevivência, e a fortalecer os nossos movimentos a partir de dentro, tendo em conta as crises que antecipamos no futuro? O que podemos aprender do movimento “fees must fall” na África do Sul, dos ventos do anti-imperialismo vindos do Sahel, ou das revoltas juvenis no Quénia e em Moçambique?
O despertar de uma política Panafricana de libertação é urgente – e pode muito bem já estar a caminho.
Para informações adicionais e para se registar: impunidade.corporativa@gmail.com / +258 84 3106010






