Feliz dia às Nossas Crianças

Hoje, dia 1 de Junho, celebramos o Dia Mundial da Criança e desejamos a todas as crianças um dia realmente Feliz!

Não me esqueço nunca do quanto ansiava por este dia quando era criança! Na nossa infância, logo após a Independência do nosso País, no dia da Criança não havia presentes comprados, não havia luxos, mas havia muita alegria e muita música… e com sorte se fosse possível encontrar todos os ingredientes poderia haver um bolinho!

No nosso dia sentíamo-nos realmente importantes! O País estava em festa! O nosso Papá Samora valorizava e protegia as crianças, éramos todos continuadores da Revolução e éramos “…as flores que nunca murcham…”!!!

Cantávamos até ficar sem voz, corríamos e brincávamos livres e despreocupados na rua, todos juntos, todos iguais, éramos todos só crianças!!! Eu cresci assim!

E hoje? Onde está a alegria? Onde estão as nossas flores que nunca murcham?

Hoje, grande parte das nossas crianças já não brincam livres e despreocupadas… hoje nem todas são realmente iguais ou tem direitos…

Hoje, não conseguimos cantar com a alegria despreocupada com que cantávamos tantos anos… hoje choramos… hoje choramos por saber que há demasiadas crianças aqui mesmo no nosso País, a sofrer horrores… que não sabem nem nunca saberão o que é brincar livres e despreocupadas… que se escondem nas matas todas as noites para poder ver o sol no dia seguinte… que dormem sem nada para comer e se tiverem sorte acordam no dia seguinte para a mesma realidade cruel… é assim por exemplo em Cabo Delgado… é assim em demasiados lugares neste nosso lindo País e é assim também pelo mundo inteiro!!!

E são estas as crianças que pretendemos que amanhã sejam adultos bem formados, com valores, com princípios… Como?

Hoje sentimos que não temos como protegê-las de tudo isto, sentimos que temos de as preparar para o mundo feio e cruel que grande parte da Humanidade insiste em manter… destruímos a sua inocência para os proteger, explicamos os horrores que passam outras tantas crianças… para as proteger… para as proteger dos preconceitos… do racismo… da fome… da guerra… mostramos esta dura e triste realidade!

Cantávamos felizes… “Nós somos continuadores da Revolução Moçambicana…”

Será que ainda somos?

Feliz Dia!

Sem fome, sem guerra, sem maus tratos…

Em paz, com saúde, liberdade e muito amor!

Fotos das nossas criancas, do nosso futuro e as flores que não podemos deixar murchar.

A nossa luta continua, para elas.

Galp tem cair

Os amigos da JA! em Portugal contestam a Assembleia Geral Anual (AGA) da Galp Energia, empresa que faz parte da indústria destrutiva do gás em Cabo Delgado.

Na semana passada, a empresa Portuguesa Galp Energia realizou a sua AGA, e os amigos da JA! em Portugal criaram uma acção directa online que reuniu mais de 400 pessoas. Este é apenas o começo do que claramente será uma luta feroz e poderosa: A Galp Tem de Cair!

Cabo Delgado, a província mais a norte de Moçambique, está a ser destruída pela indústria do gás. Empresas como a Galp, que fazem parte da indústria, estão a retirar casas, terras e meios de subsistência às pessoas que lá vivem, cultivam e pescam por gerações. E agora, a indústria do gás trouxe a desastrosa pandemia do COVID-19 para a província de Cabo Delgado, em Moçambique, e são as pessoas e as comunidades vizinhas que irão sofrer.

A JA!, como parte da campanha Não ao Gás! em Moçambique, tem como alvo a Galp por ser uma das empresas envolvidas na devastadora indústria de gás natural líquido em Cabo Delgado, no norte de Moçambique, onde gigantes multinacionais de combustíveis fósseis como a Eni, a Exxon e a Total estão a cometer violações dos direitos humanos e ambientais, e a causar danos irreversíveis no clima para extraírem gás. A Galp detém 10% do Coral GNL, um destes projectos.

A acção foi criada pela Climaximo, uma organização baseada em Lisboa que trabalha em justiça climática, transição justa e democracia energética; pelo artivismo de 2 graus, um colectivo artivista baseado em Lisboa; e pela Greve Climática Estudantil, sextas-feiras de Portugal para o Futuro. A JA! tem trabalhado em estreita colaboração com a Climaximo, o que conduziu a esta acção.

Como parte da Galp Tem de Cair, três activistas da Climaximo participaram na AGA e fizeram perguntas directamente ao conselho de administração. Enquanto isso acontecia, mais de 400 pessoas assistiam a um espectáculo em directo com concertos em tempo real, palestras e uma demonstração online.

Sinan Eden, activista da Climaximo e organizador da acção, disse: “A Galp Tem de Cair é uma acção que possui vários elementos. Esteve online e offline, dentro e fora da AGA, em ligação com lutas nacionais e internacionais, com elementos activistas e artivistas.

Consideramos a AGA da Galp como uma cena de crime, e a indústria global de combustíveis fósseis como um crime organizado internacional contra a humanidade. Assim, a nossa abordagem é denunciar as injustiças sociais e climáticas da Galp em todos os espaços disponíveis.”

Este ano, como a maioria das AGAs em todo o mundo, o confinamento pandémico do COVID-19 implicou que a AGA fosse virtual e que os accionistas precisassem de pedir permissão para entrar em directo. Isso significou que o CEO ou o Presidente poderia retirar um accionista apenas com o clique de um botão, pelo que os activistas tiveram de fazer perguntas muito sucintas. Os três activistas que se fizeram presentes tiveram que enviar perguntas por escrito, que o conselho de administração examinou antes de estas serem colocadas ao CEO.

Sinan salienta que: “Em Portugal, até à data, a táctica de entrar nas AGAs era inexistente nos movimentos sociais em geral. A teoria da mudança da Climaximo informa-nos que um diálogo com a indústria não produziria soluções reais, pelo que a nossa abordagem dentro da AGA foi mais contestada e denunciada do que debatida.”

Activistas dentro da AGA:

Os activistas da Climaximo fizeram perguntas (deveriam ter sido quatro, mas a Galp bloqueou a quarta no último minuto, alegando alguns problemas administrativos). Apresentaram 15 perguntas, na sua maioria sobre Moçambique, que a JA! tinha trabalhado com eles. Receberam 5 respostas da administração, que foram muito evasivas e vagas, repetindo a retórica usual sobre o compromisso da Galp com o desenvolvimento económico em Moçambique, como afirmam fazer em todos os países do hemisfério Sul onde têm projectos.

Um dos activistas que fez parte da AGA, Manuel Araujo, descreveu a sua experiência na AGA: “Perguntámos sobre a actual crise climática e o seu criminoso modelo de negócios de extrativismo social e de recursos, aos quais eles responderam repetidamente o seu compromisso com o gás natural como combustível de transição, apesar de ser conhecido por ser uma das principais fontes de emissões de GEE. Previsivelmente, não comentaram a compatibilidade do seu aumento planeado de 50% na extracção de combustíveis fósseis nos próximos dez anos com as metas de emissões estabelecidas no acordo de Paris.”

Manuel diz que o CEO, Carlos Gomes da Silva, deu um argumento particularmente absurdo, ao comparar os hipotéticos cortes de emissões obtidas com a substituição de cada automóvel por um eléctrico (3,5%) com as obtidas com a substituição do carvão por gás na produção de electricidade (15%), como se estas fossem as duas únicas alternativas em cima da mesa.

Perguntaram também qual é normalmente a questão mais incómoda para os executivos – Porque é que a administração e outros executivos de topo recebem salários absurdamente altos e porque é que os accionistas recebem ridículos 580 milhões de euros, quando este dinheiro poderia ser melhor gasto num programa de transição justa para os trabalhadores da empresa.

Em 2019, da Silva recebeu uma remuneração de 1,8 milhões de euros. No total, os salários da administração foram de 6,6 milhões de euros, metade dos quais foram bónus.

Manuel diz: “Só obtivemos respostas evasivas, mas valeu a pena ouvir o Presidente do Conselho da AG perguntar ao Secretário da Empresa o que torna legítimo o CEO da Galp ganhar 197 vezes o salário mínimo.”

Inês Teles, que também fez uma pergunta, retirou-a da sua experiência: “Durante a AGA, a administração da Galp revelou mais uma vez a sua profunda desconsideração por questões relacionadas com o clima e a justiça social. Não conseguem ver para além dos lucros que obtêm do mar de destruição que causam, distribuindo orgulhosamente entre si os seus dividendos.”

A Galp Tem de Cair Ao Vivo

Enquanto isto acontecia, “fora” da AGA, 400 pessoas participavam noutra componente da acção directa de A Galp Tem de Cair, que incluiu uma tempestade no twitter, entrevistas em directo com activistas, incluindo da JA!, uma demonstração online e as perguntas dos accionistas também foram transmitidas em directo.

Parte desta acção foi A Galp Tem de Cair Ao Vivo – um espectáculo em directo, via instagram, que reuniu artistas emergentes e activistas de longa data de países que a Galp está a colonizar: Moçambique, Brasil, Guiné-Bissau e Cabo Verde.

A organização deste evento em directo foi possibilitada pela artivismo de 2 graus e pela Greve Climática Estudantil.

Diogo Silva, um dos organizadores da acção do artivismo de 2 graus, acredita que a arte é crucial para a revolução, e diz: “Este evento marcou muitas estreias em Portugal: a primeira vez que activistas Portugueses invadiram a assembleia accionista da Galp; a primeira acção directa a envolver sobretudo meios online; a primeira acção artivista em directo totalmente online; e a primeira demonstração online.”

A partir de agora, o nosso objectivo como comunidade artivista baseada em Portugal é construir laços mais fortes, dar poder uns aos outros e mobilizar uma nova geração de artivismo pela justiça climática. Outro mundo é possível e não é a nossa revolução se a arte não estiver envolvida”.

Esta acção e a AGA deste ano foi a primeira da Campanha Não ao Gás! e a primeira que a JA! enfrentou a Galp e sensibilizou especificamente sobre esta empresa. A quantidade de atenção e apoio que A Galp Tem de Cair recebeu foi muito inspiradora e o acompanhamento nas redes sociais foi óptimo. Este foi um forte começo para o que claramente será uma poderosa campanha colectiva. E o próximo ano será ainda mais forte.

Iremos certamente actualizar-vos a todos, nossos amigos, sobre o que vem a seguir na campanha A Galp Tem de Cair.

Sinan diz: “Gostaria de esclarecer uma coisa: precisamos de desmantelar a Galp, porque se, em vez disso, ela colapsar, todos nós estaremos debaixo das suas ruínas. A Galp tem de ser desmantelada por um processo democrático, planeado e deliberado. Uma transição rápida e justa, e a justiça climática baseada na solidariedade global só são possíveis através de um sector de energia 100% renovável, de propriedade pública e controlado democraticamente”.

E, por fim, algumas palavras de Daniel Ribeiro, da JA!:

“A Galp está a planear ganhar milhões em Moçambique, às custas de retirar terras das comunidades camponesas e do acesso marítimo dos pescadores, da perda dos seus meios de subsistência, dos abusos dos direitos humanos e dos conflitos. O investimento da Galp está também a servir como um amplificador da corrupção do país, das injustiças e até de assassinatos de activistas e jornalistas. A Galp tem de parar, a Galp tem de cair, se não quiserem o sangue desses crimes nas suas mãos. Eles têm de começar a colocar as pessoas à frente dos lucros.”

Para mais informações sobre a campanha A Galp Tem de Cair:

Justiça Ambiental entrevista a Organização de Trabalhadores de Moçambique Central Sindical, por ocasião do 1 de Maio, Dia Internacional do Trabalhador

thumbnail (1)Entrevista a Damião Simango, membro do secretariado, responsável pelas relações internacionais e porta-voz da OTM-CS

Justiça Ambiental (JA!):

Caro Damião, obrigada por esta oportunidade de conversa. Sabemos que a Organização dos Trabalhadores de Moçambique – Central Sindical (OTM-CS) é a maior entidade representativa dos trabalhadores no país. Pode nos falar um pouco do que é a OTM e como se estrutura?

Damião Simango (DS):

A OTM é a central sindical mais antiga e mais representativa de Moçambique. Estamos em todas as províncias e em alguns distritos. Congregamos diversos sindicatos nacionais (15) que incluem o sindicato dos funcionários do estado, e também a associação dos trabalhadores da economia informal. No total, e pelas estatísticas de 2018, somos cerca de 145 a 150 mil membros. Na sua estrutura, a OTM também tem uma estrutura representativa das mulheres e outra dos jovens.

Existem outros sindicatos independentes, como o dos professores e jornalistas. Outra importante federação sindical é a CONSILMO, a Confederação Nacional de Sindicatos Independentes e Livres de Moçambique.

JA!:

Qual é a vossa missão?

Damião Simango (DS):

A OTM é uma congregação que dá a voz aos trabalhadores em Moçambique. Lutamos pela defesa e promoção dos nossos direitos e interesses sócio-profissionais, junto às entidades empregadoras e através do contacto permanente com organizações do Estado e outros actores sócio-profissionais e económicos.

JA!:

Indo directo ao assunto, aproximamo-nos do dia do trabalhador, 1 de Maio. Na situação em que vivemos actualmente, devido à pandemia do COVID-19 e as medidas tomadas para tentar contê-la, de que forma o trabalho da OTM é afectado por esta situação?

Damião Simango (DS):

Esta situação impacta-nos de muitas formas. Por exemplo, em condições normais, nesta altura provavelmente estaríamos nas negociações em torno do salário mínimo, mas estas foram suspensas por causa do COVID-19. Estas negociações estão previstas por lei, que prevê que anualmente deve haver um reajuste nos salários mínimos.

Claro que, por um lado, podemos compreender a fragilidade das empresas neste momento devido à pandemia, no entanto, a nossa preocupação é o trabalhador. Gostaríamos de, em contrapartida, particularmente durante a pandemia, ter a garantia da manutenção dos postos de trabalho e pagamento dos salários.

Devemos notar que, apesar de não se aumentarem os salários, a pressão sobre os salários já baixos dos trabalhadores aumentou – não só devido ao incremento dos preços dos produtos essenciais, como também pelo surgimento de novas demandas e despesas extraordinárias, como as máscaras, materiais de limpeza e higiene, etc.

JA!:

E quais são as vossas principais preocupações face ao cenário actual?

Damião Simango (DS):

Neste momento da pandemia, o que mais nos preocupa é o futuro dos trabalhadores. Em Moçambique não temos, por exemplo, um subsídio de desemprego ou uma segurança de rendimento para estas situações, principalmente para os grupos mais vulneráveis. Apenas o subsídio de emergencia básico previsto pelo INSS (Instituto Nacional de Segurança Social), e o subsídio de acção social previsto pelo INAS (Instituto Nacional de Acção Social), que varia entre Mts 540 e Mts 1050. Portanto se esta situação se prolongar por mais 3-4 meses, o que isto vai significar para os trabalhadores? Isto preocupa-nos muito, devido ao impacto que provavelmente terá nos trabalhadores e, consequentemente, na sociedade. Alguns impactos disto poderão ser um intensificar da pobreza, desigualdade, violência doméstica, criminalidade, entre outros.

JA!:

Recentemente, um grande número de organizações e indivíduos da sociedade civil, incluindo a OTM-CS, publicou um documento de posicionamento a respeito do Estado de Emergência. Este documento contém algumas propostas concretas para o governo, incluindo na área de emprego e protecção social. Quais são as vossas demandas neste momento? (Este posicionamento pode ser consultado em: https://aliancac19.wordpress.com/)

Damião Simango (DS):

De forma ampla, nós exigimos que o governo desempenhe o seu devido papel de protector social, que se torna mais urgente que nunca devido à situação de crise. Queremos que não sejam tomadas nenhumas medidas sem que se pense concretamente como é que os grupos sociais irão implementá-las, em particular as camadas mais vulneráveis.

O INSS tem evoluído bastante nos últimos tempos. Por exemplo há alguns anos, para se registar no INSS, teria que ser através da entidade empregadora. Isso já evoluiu, agora o trabalhador informal pode se registar no INSS de forma independente. Mas é preciso continuar a evoluir, principalmente no sentido de ampliar a abrangência da protecção social, que alcança ainda poucas pessoas, e adoptar medidas concretas para lidar com esta crise.

Sabemos que os empresários tudo farão para proteger as suas empresas, e alguns poderão até mesmo aproveitar-se desta crise para lograrem outros intentos que em condições normais não poderiam. Temos noção que a CTA (Confederação das Associações Económicas de Moçambique) tem um grande poder de influência sobre o governo, e já há tempos que temos observado uma pressão por medidas que contribuem para a precarização do trabalho e do trabalhador. No entanto, temos que perceber que as medidas propostas pelas empresas e demais entidades empregadoras não serão suficientes para lidar com esta crise, é fundamental que o governo intervenha com medidas de protecção social. O que nós exigimos, portanto, é que o governo possa dar uma resposta concreta a estas questões, e que as medidas negociadas não sejam em qualquer circunstância em detrimento dos direitos dos trabalhadores e da sua protecção social.

JA!:

Esta crise causada pela pandemia COVID-19 vem evidenciar também uma série de outras crises, de desigualdade, pobreza, precariedade do trabalho, etc, tanto a nível de Moçambique como a nível global. Como é que vê a interligação destas crises com o sistema sócio-económico predominante, o capitalismo neoliberal?

Damião Simango (DS):

As crises são oportunidades – isto pode até soar mal, mas é verdade. As oportunidades apresentam-se de diversas formas, e esta é uma delas. Temos a oportunidade de repensar o papel do Estado e, de forma mais ampla, o modelo de desenvolvimento que seguimos. Antes, a maioria das pessoas estava convencida que este modelo, por ser o mais praticado actualmente, é o que responde às nossas necessidades. Agora é hora de despertarmos, e percebermos que este modelo não nos serve. E foi, neste caso, o sector da saúde que evidenciou isto – vemos milhares de mortes nos Estados Unidos, principalmente da população mais pobre, porque têm um sistema de saúde privado.

Precisamos de resgatar um papel fundamental do Estado, que é o seu papel protector da sociedade, garantindo a sobrevivência do seu povo. Este papel, que tem sido fragilizado devido ao modelo económico vigente, não se pode perder. É agora o momento ideal para o Estado desempenhar o seu papel protector, independentemente das pressões impostas pelo sistema de mercado.

Sabemos que o sector empresarial conta com forte apoio, fundos e especialistas para defender as suas posições. Nós não contamos com o mesmo apoio – mas sabemos o que queremos! Queremos a sociedade e os trabalhadores protegidos pelo Estado. Não haverá qualquer saída viável, justa e produtiva desta crise sem os trabalhadores.

Muito obrigada pela vossa disponibilidade para conversar conosco, e estamos em solidariedade com a vossa luta!

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Violaçao de direitos humanos pela empresa Mozambique Holdings Lda. em Lugela

Em 2015 as terras que pertenciam à Madal, no Distrito de Lugela na Província da Zambézia, foram trespassadas para a Mozambique Holdings Lda, uma transnacional de capital indiano que desenvolve inúmeras actividades entre estas a mineração, venda de material militar, construção de estradas, transporte e logística. Em Lugela o objectivo da Mozambique Holdings Lda é a plantação de árvores, seringueiras, para exportação e a produção de borracha.

Desde a sua entrada na área, tem sido reportados vários casos de conflito entre os membros das comunidades locais, nomeadamente de Nvava, Limbue Sede, Namadoe e Nangaze. Os conflitos e problemas relatados pelos afectados tem sido diversos, desde casos de conflito de terra, à falta de respeito com que os gestores da empresa tratam os membros das comunidades, até mais recentemente proibição de passagem por caminhos e vias que atravessam a sua área mas sempre foram utilizados pelas comunidades pois não há vias de acesso alternativas. Segundo as comunidades a relação com o pessoal gestor da Madal era positiva, como não utilizavam toda a sua área e permitiam que as comunidades locais estabelecessem as suas machambas, casas e cemitérios da família em determinadas áreas, e assim foi ao longo de inúmeros anos… Com a chegada da Mozambique Holdings Lda. tudo mudou e as machambas, casas e cemitérios foram retirados, largas áreas de vegetação completamente destruídas para dar espaço às suas árvores… mas ninguém apresenta a documentação do processo de trespasse de DUAT, do processo de licenciamento ambiental, nada… nada que a Lei prevê que seja informação pública é pública de facto.

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As comunidades não têm esta informação! Os chefes locais não têm esta informação e o governo a nível central simplesmente não dá acesso a esta informação!

No passado dia 26 de Abril pelas 7 horas da manhã quando um membro da comunidade de Nvava, seguia da comunidade de Namadoe onde tinha estado num funeral de regresso à sua comunidade, utilizou uma das vias que passam na área da Mozambique Holdings Lda e encontrou-se no caminho com três senhores, supostos “chefes” indianos que o agarraram, começaram a baterna área da Mozambique Holdings Lda.-lhe com um pau de bambu, retiram-lhe a camisa e amarraram-na ao seu pescoço e foi espancado por estes três indivíduos com o pau de bambu. Isto simplesmente porque estava a atravessar um dos caminhos de terra batida

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O agredido foi ao hospital, os pontos focais das associações comunitárias foram ao local e chegaram a falar com os três agressores que confirmaram sem nenhum receio que bateram sim porque ele passou ali. O caso foi denunciado à Polícia de Tacuane, que se mostrou bastante preocupada e a seguir a situação; e ainda aos chefes de posto locais que pouca ou nenhuma importância deram ao assunto, talvez seja porque a empresa supostamente traz “desenvolvimento” ou talvez porque sempre se pode apanhar algumas migalhas!

Este não foi o primeiro caso de conflito, houve casos anteriores em que membros da comunidade foram impedidos de passar por essas vias, casos em que foram retiradas as suas enxadas e só muito mais tarde e com a intervenção das associações e que foram devolvidas, constantes insultos e falta de respeito… estes casos têm sido apresentados aos chefes de posto e às autoridades locais, mas estes pouco ou nada fazem pelas comunidades!

Srs. Que se acham impunes e acima da Lei, este caso não vai cair no esquecimento!

Não vamos permitir de modo algum que estes incidentes continuem! CHEGA!!!

Não à impunidade corporativa e Violação de direitos humanos!

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COVID-19: Sociedade Civil demanda um Estado de Emergência com Justiça Social, Ambiental, Económica e de Género

Comunicado de Imprensa

Maputo – 10 de abril de 2020

Diversos movimentos sociais, sindicatos, activistas sociais, académicos, artistas, e outros grupos e organizações da sociedade civil moçambicana tornam público hoje, 10 de abril, um documento de posicionamento e análise sobre as possíveis implicações do Estado de Emergência para cidadãs e cidadãos moçambicanos. O documento apresenta uma série de demandas e propostas para o governo a curto e a médio-longo prazo e inclui um plano de acção a ser implementado pela sociedade civil nos próximos meses.

Este colectivo apresenta uma resposta articulada, com a missão de manter uma atitude vigilante, crítica e construtiva a respeito das diferentes acções do governo e demais agentes socioeconómicos. Pretende igualmente colaborar com o governo para a massificação da disseminação de informações úteis aos cidadãos sobre o COVID-19, assim como promover activamente acções e iniciativas de solidariedade, empatia e cidadania entre todos e todas com vista a vislumbrar esta situação de pandemia e consequentes crises como uma oportunidade de fortalecer o nosso tecido social de forma inclusiva e participativa.

Nzira de Deus, do Fórum Mulher (FM), alerta para a necessidade do reforço, durante o Estado de Emergência, de mecanismos de atendimento, acompanhamento e actuação rápida por parte das entidades competentes em situações de violência doméstica e abuso sexual, uma vez que estes fenómenos tendem a aumentar em resultado do exacerbar das tensões sociais.

O documento sugere ainda que é necessário repensar, neste contexto, o papel e as funções do Estado na economia e na sociedade moçambicana. Segundo João Mosca, do Observatório do Meio Rural (OMR), é preciso que se abandonem as teorias neoclássicas que sugerem minimizar o papel do Estado na economia e no mercado. Para ele é necessário neste contexto fortalecer as estruturas de governação e praticar-se uma cidadania activa, que recupere a confiança nas instituições do Estado, o que é fundamental para a redução de efeitos de pandemias e outras crises.

De acordo com Anabela Lemos, da Justiça Ambiental, esta crise vem ressaltar as conexões e desconexões de uma sociedade profundamente injusta, e pensando que certamente não será a última, devemos aproveitar esta oportunidade para olhar para o futuro do país tendo em conta certos aspectos, tal como a desigualdade cada vez mais exacerbada no nosso país e no mundo, resultado de um sistema socioeconómico de desenvolvimento e acumulação de capital que depende da exploração dos(as) trabalhadores(as) e da natureza. Defende que é necessário também repensarmos o poder e benefícios que se dá às empresas no nosso país, em particular as empresas transnacionais.

Para Luís Muchanga, da União Nacional de Camponeses (UNAC), esta crise também oferece a Moçambique a oportunidade de se trabalhar para assegurar a nossa soberania alimentar, que necessariamente deve passar pelo apoio e empoderamento dos pequenos agricultores(as) e camponeses(as), de forma a aumentarem a sua produtividade com métodos e práticas que não ameacem a saúde publica, o meio ambiente ou a biodiversidade.

O documento da sociedade civil foi assinado por diversas entidades da sociedade civil, permanece aberto para mais subscrições (tanto de organizações como de indivíduos), e pode ser lido na íntegra neste endereço: https://aliancac19.wordpress.com/

Para mais informações:

Anabela Lemos: anabela.ja.mz@gmail.com (Justiça Ambiental)

Boaventura Monjane: boa.monjane@gmail.com (Alternactiva)

João Mosca: joao.mosca1953@gmail.com (Observatório do Meio Rural)

Luís Muchanga: lmuchanga@gmail.com (União Nacional de Camponeses)

Nzira de Deus: nzira.deus@hotmail.com (Fórum Mulher)

Comunicado

A Justiça Ambiental tem acompanhado com preocupação a situação da pandemia do Corona Virus pelo Mundo. A situação actual é extremamente preocupante e dramática, neste momento o Corona vírus já se espalhou por 197 países do mundo, com cerca de 387 354 casos confirmados e 16 758 mortes.

Estamos solidários com todos os Países que sofrem neste momento, que se desdobram em esforços para conter esta pandemia. Estamos igualmente solidários e gratos a todo o pessoal médico que tem estado na linha da frente no combate a esta pandemia, a solidariedade e dedicação destes profissionais de saúde pelo mundo tem sido uma mostra do que de melhor a Humanidade tem.

Infelizmente Moçambique ja foi oficialmente confirmado com tcinco casos positivos de Covid-19, o que deve ser motivo mais do que suficiente para intensificar todas as medidas de prevenção necessárias para evitar a propagação deste vírus. Com vários países em África já com casos positivos, e outros tantos a tomar medidas sérias de contenção como o encerramento das suas fronteiras, particularmente as fronteiras com países com inúmeros casos é urgente que o nosso governo tenha coragem e tome medidas mais radicais de modo a conter o alastramento do novo Corona vírus pelo país, nem que isso implique o fechamento temporário de todas as fronteiras. De que estamos à espera?

Por um lado temos observado alguns países de África, antes de ter casos confirmados, como Angola, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe a fechar as suas fronteiras e os aeroportos, como medida de contenção e demonstrando que têm consciência da sua vulnerabilidade, relativamente à falta de estruturas e recursos para fazer face a uma pandemia. Por outro lado, é muito preocupante, quando sabemos que em Moçambique não pararam de entrar, todos os dias pessoas vindas de países com elevadíssimos índices de contaminação, como a China, Itália, Portugal, Espanha…etc. E que até ao momento o que lhes era solicitado é que fizessem a quarentena domiciliar voluntária. E quem cumpre? Quem verifica se há cumprimento desta medida? Sabemos igualmente que muitos não a cumprem. Realisticamente, o que podemos esperar?

Porém, como cidadãos deste país temos plena consciência das inúmeras e graves fraquezas do nosso sistema nacional de saúde, e a preocupação de muitos moçambicanos é visível. Vamos alegar que não tivemos tempo para nos prepararmos? Vamos trazer a nossa lista de insuficiências para justificar porque fomos incapazes de conter esta pandemia? E o foi feito até ao momento para evitar a todo o custo esta pandemia no nosso país?

Só no dia 23 de Março, é que o nosso Governo apresentou algumas medidas mais concretas como o encerramento de todas as escolas no país, o cancelamento de encontro com mais de 50 pessoas, e a quarentena obrigatória a todos os que entram em Moçambique. Porém, como cidadãos deste país temos plena consciência das inúmeras e graves fraquezas do nosso sistema nacional de saúde, e a preocupação de muitos moçambicanos é visível.

Institucionalmente, a Justiça Ambiental (JA) tem cumprido com as normas e medidas de higiene e cuidados dentro do nosso escritório, todo o pessoal está devidamente informado e sensibilizado para evitar a propagação do Corona Vírus. Igualmente foram canceladas todas as viagens internacionais, todas as reuniões fora do País, encontros na JA, e assim como as 3 reuniões que a JA! estava a organizar em Maputo com convidados internacionais. Paramos com os trabalhos de campo, para evitar qualquer contaminação com as comunidades rurais que trabalhamos e estamos a acompanhar atentamente a situação.

Acreditamos e defendemos que a prioridade nestas situações, pandemia global com inúmeros países em estado de emergência, é o bem-estar das pessoas, e que todos e cada um de nós é responsável por minimizar os impactos desta pandemia, temos que pensar como colectivo, temos que agir como um colectivo, temos que resgatar urgentemente o sentimento de comunidade e de solidariedade, este vírus já nos mostrou que estamos todos conectados, no entanto, alguns de nós são muito mais vulneráveis, tais como os idosos e pessoas com algumas condições e temos que nos proteger para assegurar que os protegemos também, pensar e agir como colectivo e não só no EU, mas em toda a humanidade. Com certeza esta pandemia terá impactos gravíssimos sobre a economia capitalista como a conhecemos e queremos acreditar que esta enorme desgraça pode ser uma oportunidade única para uma profunda análise e transformação global da forma como temos vindo a destruir, poluir e dizimar ecossistemas, espécies e a reavaliar o impacto da Humanidade no planeta, e consequentemente em nós mesmos como Humanidade.

Estamos com receio, estamos com receio pelos nossos mais vulneráveis, estamos com receio pela nossa família, por nós, pelos nossos colegas, vizinhos, pelas comunidades rurais com as quais trabalhamos, pelos moçambicanas e moçambicanos, pela humanidade…

Numa crise como esta, é que muitos começam a dar valor ao que é importante. Acreditamos que juntos encontraremos maneiras de trabalhar, partilhar as nossas preocupações, compreender as necessidades de cada um, os nossos medos e apoiar uns aos outros para seguir em frente, com as diferenças e o contexto de cada um de nós. Acreditamos ainda que o melhor de nós irá prevalecer…

Precisamos de ser solidários, e mais do que nunca, precisamos de estar juntos, com empatia, bondade, apoio e igualdade entre a nossa equipe, nas nossas comunidades, na nossa cidade, a nível nacional e internacional.

Apelamos aos comerciantes que não se aproveitem desta crise, inflacionando os preços dos bens de consumo de modo a maximizar lucros às custas da desgraça e do medo, como temos visto vezes sem conta neste e noutros países. O mesmo apelo vai para às farmácias, pois já se vê cobrarem 2000.00mts por 500ml de álcool. Apelamos ainda a todos os moçambicanos que sejam conscientes do que realmente necessitam, pois a grande maioria não tem condições para comprar a grosso e armazenar.

Apelamos às clínicas e hospitais privados, que pensem nas vidas das Moçambicanas e Moçambicanos acima de qualquer lucro, e que se aproximem do governo e se disponibilizem a receber e acomodar pacientes, ou então que o governo tome a iniciativa , como se viu na Espanha, em que o governo nacionalizou temporariamente, todas as empresas privadas de assistência medica para melhor gerir a pandemia. Em situações de crise as gritantes desigualdades ainda se mostram mais expostas e mais injustas.

Apelamos a sociedade no geral para que cumpram de forma rígida e restrita todas as medidas de prevenção e contenção anunciadas até ao momento, sempre que possível permaneçam nas suas respectivas casas e evitem saídas ou deslocações desnecessárias.

Apelamos ao nosso governo, se tivermos que chegar a situação duma quarentena obrigatória, que apoie os seus cidadãos, como muitos dos exemplos que temos, de vários países em suspenderem os pagamentos de taxas, dívidas, água , energia e muitos outros fornecimentos básicos, durante a quarentena obrigatória.


Apelamos ao Governo que tome todas as medidas necessárias para evitar a propagação deste vírus no nosso país, de modo a evitar uma grande tragédia. Embora já tenham sido tomadas algumas medidas, julgamos que a situação que temos acompanhado nos outros países exige maior seriedade. Que também veja em como acomodar e dar alimentação aos mais desamparados e em maior risco.

A partir desta terça- feira, 24 de Março, o escritório da JA! estará temporariamente encerrado ao público, todo o pessoal técnico estará a trabalhar a partir de casa da melhor forma possível. Continuamos a manter contacto com os nossos parceiros através de plataformas de comunicação digital disponíveis.

Se a situação estiver sob controle, voltamos ao escritório a 8 de Abril, caso contrário continuaremos a trabalhar em quarentena até que seja possível retomar.

Estamos juntos e solidários

JUSTIÇA AMBIENTAL JA!

Rua Kamba Simango Nº 184 Maputo

Contacto: 82 3061275 / 21 496668-mail: jamoz2010@gmail.com

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O que se pretende com o Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul?

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A 20 de Novembro do ano passado o nosso Governo, através do Conselho de Ministros, extinguiu o Fundo de Fomento Pesqueiro e criou o Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul. Esta decisão foi divulgada nos órgãos de comunicação social, mas no meio de tantas outras tristes notícias do nosso país, esta embora de interesse, passou despercebida… até hoje… importa tentar perceber o que isto implica de facto!

Para perceber esta mudança, aparentemente inofensiva mostra-se necessário visitar os objectivos do Fundo de Fomento Pesqueiro (FFP), entre estes destacam-se:

apoiar financeiramente as acções que visam estimular o investimento privado, em particular o nacional, em áreas consideradas prioritárias, tais como: a pesca artesanal e construção naval artesanal; a produção de gelo e o estabelecimento de redes de frio em áreas onde tal possa contribuir para a valorização dos produtos pesqueiros da pesca artesanal; o apoio em instalações e comercialização de pescado proveniente da pesca artesanal; a pesca industrial de recursos não explorados ou em novas zonas de pesca; a renovação e expansão da frota de pesca semi-industrial; as instalações de processamento de pescado que resultem na obtenção de valor acrescentado; e aquacultura. O FFP apoiava ainda acções, os programas e projectos de investigação, experimentação, fiscalização e extensão das instituições pesqueiras dependentes do Ministério das Pescas. Embora, os seus objectivos não contemplassem a necessidade de conservação e manutenção do equilíbrio ecológico do mar e oceano, o FFP mostrou-se importante no apoio à pesca artesanal e de pequena escala e não deixou de ser necessário.

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Mas e o Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul ou ProAzul? O que se pretende com o ProAzul?

Antes de mais, é fundamental perceber o que é a Economia Azul e como foi decidido que este é o caminho que o País deve seguir.

Segundo a Política e Estratégia do Mar (POLMAR),

Economia azul é o modelo de desenvolvimento económico que propõe mudanças estruturais na economia, baseado no funcionamento dos ecossistemas, com vista a proporcionar soluções para a saúde humana, o meio ambiente e para a economia.

Princípios de economia azul – filosofia que assenta, em modelos, a partir dos quais os processos produtivos (industriais, comerciais, agrícolas e serviços), ao serem aplicados geram um desenvolvimento sustentável nos aspectos ambiental e social, possibilitando o desenvolvimento económico. E ainda segundo explicou a porta-voz do Conselho de Ministros, Ana Comoana “Trata-se de uma evolução. O FFP estava restrito aos projectos de pesca, enquanto o ProAzul vai ser mais abrangente, não somente à área pesqueira”.

Mediante a definição apresentada na Política e Estratégia do Mar e a breve explicação da porta-voz dificilmente se percebe o alcance desta alteração… no entanto, está claro que é um modelo de desenvolvimento económico que propõe mudanças estruturais na economia, ou seja, não analisa nem propõe mudanças estruturais no nosso actual sistema capitalista de exploração desenfreada de tudo que é recurso, não propõe mudanças às inúmeras tecnologias obsoletas e altamente nocivas ao ambiente… perpetua tal como a economia verde, a ganância, a usurpação e a destruição de ecossistemas em nome do lucro e da acumulação.

Vale a pena questionar aos senhores ministros que no exercício das suas funções aprovaram esta alteração, se sabem nos explicar o que fizeram…

Exmos srs Ministros, qual de vocês é realmente capaz de explicar o que é a tal Economia Azul? E como vai funcionar? Quem vai beneficiar disso?

Mas talvez nem seja necessário pois aqueles que pagam e portanto dirigem, põem e dispõem destes “nossos” processos de consulta e revisão de importantes políticas nacionais, que ditam como e quem beneficia dos recursos, do nosso país, esses sabem bem o que querem…esses mesmos que povoam as listas de presença destes processos e que financiam outros tantos para fazer o mesmo…esses sabem bem o que é a Economia Azul…sabem bem como lucrar com a urgência das crises planetárias que eles próprios causaram e perpetuam…

Simplificando, a economia azul baseia se essencialmente nos mesmos princípios que a economia verde, ou seja, atribuir valor monetário aos ecossistemas e seus serviços, e o valor que se pretende atribuir é determinado na base na quantidade de dióxido de carbono (CO2) que o mesmo consegue capturar e reter.

Lembrando que a “Economia Verde” é definida pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente como “uma economia que resulta em melhoria do bem-estar da humanidade e igualdade social, ao mesmo tempo em que reduz os riscos ambientais e a escassez ecológica” e que tem três características principais: baixa emissão de carbono, eficiência no uso de recursos e busca pela inclusão social.

Da mesma forma que a Economia Verde, a Economia Azul é desenvolvida na base dos mecanismos tradicionais de mercado, tudo tem preço, daí os mercados de carbono, a compensação por serviços ambientais.

De quem é o interesse nesta Economia Azul? Bom, é só ir ver quem pagou todo o processo e quem financia o Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul…quem o trouxe até nós?

Lamentavelmente a Economia Azul abre espaço para a comodificação generalizada da natureza, esta economia azul é baseada na economia de mercado, típica de um sistema capitalista, que tem como uma das suas características centrais a acumulação de lucro, privatização e o crescimento… na natureza crescimento infinito e acumulação infinita simplesmente não é possível!

O que se propõe então é vender a natureza para a proteger… então vale a pena questionar quem pode comprar? Quem são os principais responsáveis por esta crise? E quem inventou estas novas “economias”? Parece que são sempre os mesmos…

Esta Economia Azul, e qualquer outra alteração estrutural que pressupõe colocar os serviços ambientais e ecossistemas como ativos num sistema de mercado, pretende precisamente perpetuar o modelo de exploração extractivista que nos levou à actual crise planetária, pretende perpetuar a nossa dependência nos combustíveis fosseis, pretende perpetuar a falsa narrativa de que só poderemos alimentar o mundo através da pesca brutal e de larga escala, da agricultura industrial…

Foi mais uma grave alteração sem qualquer discussão a nível nacional, mais uma decisão tomada em nosso nome sem nosso conhecimento sequer… mais uma oportunidade para trazer dinheiro para o país, sem sequer pensar o que Moçambique terá de dar em troca e pronto assim se estabelece o Fundo de Desenvolvimento da Economia Azul…

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Uma análise bastante interessante e recomendada, pode ser acessada em:

https://www.researchgate.net/publication/320717952_Blue_growth_savior_or_ocean_grabbing

E por Cabo Delgado…

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Conhecida por ser a terceira maior baía do mundo, e por suas belas praias que atraiam as estrelas de Hollywood a passar por lá suas férias, hoje consta nas páginas internacionais não devido ao potencial turístico que hoje se vê ameaçado, mas sim pela chegada de americanos, italianos e tantas outras nacionalidades, atraídos não mais pela beleza das praias mas sim pelas riquezas do fundo do mar. Os triliões de metros cúbicos de gás que jazem em águas profundas no distrito mais a norte da Província de Cabo Delgado, no distrito de Palma, trouxeram uma nova dinâmica à pacata vila que hoje encontra-se agitada, com inúmeros cidadãos oriundos de diferentes países do mundo e diferentes províncias de Moçambique.

Ostenta luxuosos hotéis de 5 estrelas e outros mais simples para albergar a massa trabalhadora que tem vindo a crescer diante das várias ofertas de emprego que aparecem de empresas que pretendem prestar serviços à indústria do gás. Diz-se e nós sabemos que sim, que em Palma reinava uma calmaria e tranquilidade típica das pequenas vilas moçambicanas onde a rede elétrica não chegava. Há relatos de que justamente por ser tão tranquila, constituía o local favorito para o crime organizado, devido a ausência e fraqueza do Estado, tratando-se por isso da rota ideal para a entrada de estrangeiros ilegais. Em alguns estudos indica-se a nossa costa como a rota para o tráfico de drogas, e o distrito de Palma como parte desta rota devido à sua localização fronteiriça.

Já muito aconteceu em volta do projecto de exploração de gás natural naquele ponto do país. Desde o processo de prospecção e pesquisa, à confirmação da existência das quantidades comerciais de gás natural, até ao longo processo de reassentamento que se estende até aos dias de hoje. Apesar de afirmar-se com certa frequência que temos disponibilidade de terra para o desenvolvimento de projectos de exploração do recursos naturais esquece-se sempre do que já se encontra constitucionalmente plasmado que a agricultura é a base do nosso desenvolvimento – apesar de ser contrariado por um outro artigo da lei de minas que prioriza a exploração de recursos sobre todos os restantes usos – e que esta é a base de sobrevivência de mais de 60% da população moçambicana que é maioritariamente rural e que pouco conhece as outras actividades que não sejam a agricultura e a pesca.

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As comunidades rurais de Quitupo e de Milamba, em Palma, comunidades compostas por camponeses e pescadores, estão sentindo na pele a priorização das actividades de exploração de recursos sobre as suas vidas. Desde Julho de 2019 que estão sendo reassentadas na aldeia de Senga, mais concretamente na vila de Quitunda, onde foram criadas as infraestruturas de serviços necessárias para o estilo de vida de comunidades urbanas. Durante o arranque do processo de reassentamento, foram entregues às famílias, cestas básicas que podem durar até 3 meses após a transferência, enquanto se aguarda que sejam atribuídas terras de substituição para as machambas que ao contrário dos 1,5 hectares prometidos anteriormente pelo projecto passarão a ser somente atribuídos 1 hectare. Entretanto, passados quase 5 meses desde do arranque do processo a questão das machambas ainda continua por resolver, a comida da cesta básica já acabou e os camponeses não tem o que comer. As reclamações já soam a partir de Quitunda, o novo endereço dos camponeses e pescadores, que agora tem que pagar pela água que consomem, o bem precioso que sempre lhes foi oferecido pela natureza sem cobrar nada em troca.

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Relativamente ao pagamento de energia, reclamam pela falta de um posto de venda da mesma, reclamam igualmente pela falta de acesso a emprego, especialmente para os idosos que são a maioria e que precisam de algum rendimento para poder arcar com as novas despesas que aparecem nas suas vidas. Lamentam que antes de serem reassentados era fácil falar com o pessoal do projecto, no entanto, hoje após 3 chamadas para apresentarem estas reclamações não houve retorno. Por outro lado, poder-se-ia dizer que o dinheiro de compensação que receberam poderá apoiar a suprir as necessidades que estão a surgir, porém, o banco também não ajuda pois só lhes é permitido levantar pequenas quantias e com cheques avulso (que tem seus custos) uma vez que ainda não foi-lhes atribuído o cartão de débito. Exigem igualmente que haja liderança na vila de Quitunda, uma vez que após a transferência da comunidade de duas comunidades diferentes para o mesmo local a questão de lideranças está ainda por esclarecer estando por isso sem uma autoridade local a quem possam recorrer para apresentar as suas preocupações.

Após receberem a carta de reclamações da comunidade reassentada o projecto reuniu-se com a comunidade e prometeu que iria dar alimentação às famílias que já cumpriram os 3 meses iniciais e que até ao corrente mês de Dezembro a questão das machambas estaria resolvida. De acordo com o projecto as terras para as machambas foram identificadas nas comunidades de Mondlane, Senga e Macala.

E é assim que as comunidades pesqueiras de Milamba 1 e Milamba 2 estão a viver suas novas vidas, a meio de incertezas em relação ao futuro e com uma cultura de dependência que se torna cada vez maior devido ao longo processo de adaptação a que estão sujeitos. Sem machambas, sem actividades de rendimento e tendo que recorrer ao projecto sempre que enfrentam alguma dificuldade fortalecendo-se assim uma cultura de mão estendida no seio de comunidades que viviam com acesso ao mar e a terra livres e sem condicionalismos.

Para agravar a situação dos nossos irmãos de Cabo Delgado associa-se a esta onda de mudança de vida os constantes ataques a alvos civis nas comunidades, perpetrados por grupos sem rosto e sem causa, que vem semeando terror nas vidas dos populares como se perder terra, casa, tradição e história fosse pouco. Ainda são obrigados a viverem num clima de autêntico terror perpetrado por homens que colocam muito ódio e violência aos assassinatos que cometem. Em uma de suas últimas incursões na localidade de Mute, na aldeia de Nsemo os insurgentes atearam fogo aos barcos de vários pescadores, a menos de 5km da vila de reassentamento, e muito próximo a área do projecto de exploração de gás.

Uma mistura de acontecimentos vem surgindo simultaneamente na vida das comunidades de Senga, Quitupo e Milamba, comunidades que viviam tranquilas com seu modo de vida que para nós poderia não ser o mais adequado, porém, era o modo de vida no qual tinham uma vida tranquila, onde a riqueza não estava associada a quantia de dinheiro guardada no banco mas sim a extensão de terra que se possuía. Com a exploração de gás tudo mudou, não atribuímos as culpas de todos os males ao projecto como se pode pensar, mas não podemos deixar de chamar atenção para o facto de o projecto ser o catalisador de todos os acontecimentos naquela região, depois de Tete, Cabo Delgado passou a ser a atenção do mundo. Lamentamos que nesta nova versão dos acontecimentos estejamos perante o constante derramamento de sangue, e a ineficácia do nosso governo em identificar estratégias que protejam a integridade física e psicológica dos cidadãos. É em situações como estas que nos questionamos que interesse nacional é este que passa por cima do que temos de mais importante: as pessoas.

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Justiça Ambiental (JA!) comemora o dia dos Direitos Humanos com lançamento de 2 casos de estudo

Por ocasião do dia Internacional dos Direitos Humanos, comemorado a 10 de Dezembro por esta ter sido a data de adopção e proclamação da Declaração Universal dos Direitos Humanos, a JA! lançou dois importantes casos de estudos. Estas publicações expõem alguns dos constantes abusos e violações dos direitos humanos a que estão sujeitas as comunidades rurais em Moçambique, assim como as dificuldades que encontram no alcance do seu direito à informação, à terra, à alimentação, à manifestação. Ilustram a dificuldade de concretização do direito a dizer NÃO, e acima de tudo, do direito a uma vida condiga.

Estes casos de estudo salientam também as dificuldades enfrentadas pela sociedade civil na sua busca legítima por informação – direito previsto e salvaguardado por lei. Através destes dois exemplos, pretendemos denunciar a banalidade e regularidade dos atropelos à lei e da fraca capacidade e vontade política de implementá-la, no nosso país.

Um dos casos de estudo “Jindal – Um exemplo da Impunidade Corporativa“ , diz respeito ao projecto de exploração de carvão a céu aberto da companhia indiana Jindal, em Tete, que iniciou a exploração em 2013 sem a devida disponibilização ao público do EIA (Estudo do Impacto Ambiental) e da respectiva licença ambiental. A empresa começou a operar sem reassentar a comunidade de Cassoca, que de um dia para o outro viu-se cercada pela vedação da Jindal. Os seus territórios foram usurpados para dar lugar à exploração de carvão, e as famílias ficaram a partir daí obrigadas a coexistir com as constantes explosões e poeira resultante, e águas poluídas. Até o seu direito de livre circulação foi restringido, uma vez que eram obrigadas a passar pelo portão controlado pela Jindal, em alguns momentos até em horário restrito. Se isto não são graves crimes contra os direitos humanos, então o que será?

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A JA recorreu aos tribunais para que se vissem reconhecidos os direitos destas famílias. Tudo iniciou com uma carta à Direção Nacional de Avaliação do Impacto Ambiental (DNAIA-MICOA) a solicitar, sem sucesso, cópias do Relatório da Avaliação do Impacto Ambiental bem como da respectiva Licença Ambiental. Seguiram-se inúmeros pedidos, denúncias e cartas a diversos órgãos, e após quase 4 anos de batalha legal, em Junho de 2018 e em resposta ao recurso submetido pela JA! à Primeira Secção do Contencioso do Tribunal Administrativo, este sentencia a Jindal a proceder ao reassentamento das comunidades de Cassoca, até Dezembro 2018. O processo de reassentamento teve início só em Março de 2019, e as novas casas ainda não reúnem as condições necessárias.

Este caso evidencia as inúmeras dificuldades e desafios enfrentados tanto por comunidades locais como por organizações de sociedade civil que buscam proteger e promover os direitos humanos. Evidencia como a justiça não está ao alcance de todos os moçambicanos, e principalmente das camadas sociais mais desfavorecidas e vulneráveis.

O segundo caso “Terra e Conflitos –Usurpação de terra na zona do regadio de Cocomela, na Vila de Namaacha,” trata de conflitos de terra no regadio de Cocomela, vila da Namaacha. A JA! recebeu uma queixa e pedido de apoio para travar um processo de usurpação de terras de camponeses, a ser levado a cabo pelo Município da Namaacha.

Temos trabalhado constantemente com questões de usurpação de terras em zonas rurais, na sua maioria relacionadas com investimentos estrangeiros, e muitas vezes com o apadrinhamento do governo. Mas este caso pareceu-nos insólito – por que razão estaria o Conselho Municial a usurpar terra dos seus próprios cidadãos? Quando começámos a investigar a questão, constatámos que as queixas realmente eram fundamentadas e o caso merecia seriedade e apoio.

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Em 2010/2011, a JA! em conjunto com a UNAC (União Nacional de Camponeses) fez uma análise preliminar sobre o panorama de usurpação de terras em algumas províncias de Moçambique, e lançou o estudo “Os Donos da Terra”. Este estudo comprovou várias ilegalidades por detrás dos processos de usurpação de terras camponesas, uma vez que a Constituição Moçambicana e a Lei de Terras fornecem as ferramentas necessárias para proteger os direitos costumeiros sobre a terra. Acreditamos que além das enormes dificuldades na implementação da lei, há também uma fraca compreensão da própria lei, principalmente a nível governamental. Vezes sem conta ouvimos dizer que a terra é do Estado, e como tal é do Governo. Isto está errado:o Estado é o povo moçambicano, e não o Governo. Esta falsa mas surpreendentemente convincente premissa é o ponto de partida de muitos dos conflitos sobre a terra existentes hoje em dia em Moçambique.

Violações de direitos humanos como estas acontecem corriqueiramente no nosso país. Acreditamos que só poderemos verdadeiramente combater a pobreza e tantos outros problemas que assolam o país reflectindo sobre estes conflitos, e buscando formas inclusivas, eficazes e reais para os resolver. O nosso goveno nega que existam casos de usurpação de terras em Moçambique. Se continuarmos a fechar os olhos às graves violações de direitos humanos como os descritos nestes dois casos, continuaremos a fomentar um ambiente propício para o aumento da desigualdade, da violência e criminalidade, do desemprego, da destruição do meio ambiente. Se continuarmos a privar a maioria dos moçambicanos do acesso a uma justiça abrangente e imparcial, a promoção e protecção dos direitos humanos em Moçambique continuará a ser uma miragem.

Para ter acesso aos estudos envie um e-mail para: jamoz2010@gmail.com

JA! enfrenta a Sasol

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No último mês, JA! tem enfrentado a empresa sul-africana de energia Sasol de várias maneiras, interrogando-a sobre o que realmente está a fazer em Moçambique.

Mais recentemente, na semana passada, JA! compareceu à Assembleia Geral Anual da Sasol 2019 (AGM) em Johanesburgo, juntamente com outras quatro organizações da sociedade civil, para questionar o Conselho e informar os acionistas sobre o que a empresa está atualmente a fazer, e planeando fazer, em Moçambique.

Antes da AGM, JA! enviou à empresa perguntas para procurar entender os aspectos técnicos de seus projetos presentes e futuros, seguido por uma reunião com cinco vice-presidentes em sua sede em Johanesburgo, com o apoio de um colega ativista da organização parceira groundWork.

JA! levantou duas questões na Assembleia Geral:

A primeira foi sobre os campos de gás de Pande e Temane em Inhambane que a Sasol opera desde 2006, depois de remover muitos membros da comunidade de suas casas e criar apenas 300 empregos permanentes. A Sasol foi acusada de preços de transferência nesta operação – a Sasol Petroleum International (agora Sasol Africa) é a única compradora do gás extraído aqui por sua subsidiária integral Sasol Petroleum Temane, o que é comprado por uma porcentagem mínima do valor de mercado.

A segunda pergunta era sobre a perfuração em águas rasas planeada pela Sasol na costa de Vilanculos, também em Inhambane. A perfuração será destrutiva para as comunidades pesqueiras, espécies ameaçadas de animais e plantas, e a indústria do turismo, um enorme gerador de renda para a província. A JA! foi acompanhada por um membro da Campanha Proteja Bazaruto, que está trabalhando para interromper o projeto.

Aqui estão as perguntas feitas pela JA!:

1. O primeiro assunto é o projeto de Pande e Temane em Inhambane.

Para contextualizar, a Sasol insistiu regularmente em que os campos trouxessem benefícios para as comunidades do entorno desde o início das operações em 2006. No entanto, deixando de lado escolas e campos de futebol, a taxa de alfabetização e emprego aumentou na mesma proporção que o resto do país, incluindo nas províncias sem indústrias extrativas. Além disso, 12 anos depois, segundo o Banco Mundial, apenas 25% da população de Inhambane tem acesso à eletricidade, uma taxa inferior à taxa nacional de 27%.

Quando as comunidades foram realocadas de suas casas em 2006, receberam uma compensação única de R $ 12 000. Ressalto R $ 12 000. No entanto, a Sasol assinou um Contrato de Compra de Energia (PPA, Power Purchase Agreement) com o governo, que promete benefícios anuais ao povo. Vale observar que esse valor representa apenas 2,75% do imposto de produção de 6% que a empresa paga ao governo.

As perguntas da JA! foram:

Por que a Sasol não pagou os benefícios anuais às comunidades de acordo com o PPA nos últimos quatro anos?

A Sasol reconhece que a quantia que oferece como benefícios é muito pequena para manter o sustento de uma família?

E a Sasol renegociará os termos do PPA para aumentar o valor do benefício, usando a receita total como base ao invés do imposto sobre a produção, agora que tem a opção de fazê-lo?

2. O segundo assunto diz respeito aos testes sísmicos planeados pela Sasol e à perfuração de gás nas águas rasas da costa de Vilanculos

A Sasol planeja fazer testes sísmicos e perfuração em blocos oceânicos de águas rasas oceânicas 16 e 19 em Bazaruto, um parque nacional e importante área de mamíferos marinhos da IUCN. O Bloco 16 abriga as únicas espécies viáveis ​​de dugongos no Oceano Índico Ocidental, além de dois importantes recifes de pesca comercial e de subsistência para muitas comunidades.

O melhor cenário para esta perfuração é impactar espécies criticamente ameaçadas, como o dugongo; estoques de peixes e meios de subsistência das comunidades pesqueiras; turismo sustentável, que é central para a economia e mais duradouro do que o petróleo e o gás.

Enquanto a Sasol defende que está a tomar todas as acções necessárias para evitar danos ao meio ambiente, é bem documentado que a mitigação de impactos de perfuração de gás e de testes sísmicos é impossível. As comunidades também têm mostrado forte resistência ao projeto.

A pergunta da JA! foi:

Já que é cientificamente certo que os testes sísmicos e a perfuração diminuirão a última população viável de dugongos no Oceano Índico Ocidental, por que a Sasol acredita que tem o direito de contribuir para a extinção de uma espécie icônica, violar as leis nacionais que protegem os parques nacionais, e afetar negativamente a subsistência das comunidades pesqueiras?”

Respostas:

No final da rodada de perguntas, recebemos uma resposta verbal de Jon Harris, vice-presidente executivo: upstream, com quem JA! já se envolveu em ocasiões anteriores.

Sua resposta foi vaga, um exercício de relações públicas e nela ele repetiu a mesma história sobre os supostos grandes benefícios que a empresa trouxera, e que precisamos examinar secções menores da população de Inhambane, aquelas parcelas da população nas imediações da usina, e não da província como um todo. Ele disse que não sabia se as pessoas estavam a receber benefícios ou não, e não respondeu se renegociaria seu PPA com o governo, o que permitiria que as pessoas recebessem maiores benefícios.

Em relação a Vilanculos, ele disse que a perfuração sísmica não tem impacto no meio ambiente e que eles estão a tomar o máximo de cuidado para evitar qualquer impacto nos animais.

JA! tem vários objetivos em participar de uma assembleia geral como esta – confrontar o Conselho, informar os acionistas, fazer perguntas, receber informações, e alertar a mídia. Sempre existe o risco de que as respostas não sejam úteis, ou mesmo relevantes, mas nossa presença era imperativa – não fosse a presença de JA!, poucas pessoas saberiam sobre os crimes da Sasol em Moçambique.

Fora da AGM, manifestantes contra a Sasol, e os mesmos estão prestes a entregar o memorando a um vice-presidente da Sasol, Marcel Mitchelson

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