3ª Oficina de Bioconstrução – Resiliência e Conhecimento Local no Monte Mabu

Na região do Monte Mabu, a Justiça Ambiental (JA!) tem vindo a desenvolver processos de formação e ação comunitária que unem sustentabilidade ambiental, fortalecimento do conhecimento local e melhoria das condições de vida das comunidades. Na 3ª Oficina de Bioconstrução, avançamos com a Fase II na Escola Primária de Nvava, que é um exemplo concreto deste compromisso.

Após a primeira fase, dedicada à capacitação inicial, onde foram construídas duas salas de aulas, esta segunda etapa, que decorreu no mês de Julho, resultou na construção de mais duas salas de aula com recurso a técnicas de bioconstrução, baseadas em materiais locais e soluções adaptadas às condições climáticas extremas da região.

A formação contou com a participação de 8 mestres de obras locais e os seus ajudantes, que aprofundaram práticas de utilização de material local, com destaque para:

  • Fundação com sacos de terra, proporcionando uma base sólida e resistente;
  • Estruturas em bambu, aplicadas como vigas e reforço de pilares, aproveitando a abundância e durabilidade deste material;
  • Uso de palha de arroz combinada com madeira e bambu, na técnica de pau-a-pique, demonstrando soluções tradicionais adaptadas a novas exigências de resiliência.

Além da componente técnica, a oficina serviu também como um espaço de mobilização comunitária e institucional. O processo contou com a presença e apoio activo dos membros das comunidades, incluindo os membros das associações comunitárias, as estruturas locais, incluindo o chefe do posto administrativo de Tacuane, o chefe da localidade de Mabu 1o, os régulos de Limbue e Nvava, bem como a direção da escola primária de Nvava.

Durante a cerimónia de entrega, a chefe da localidade de Mabu 1o destacou a importância da iniciativa, sublinhando que as novas salas de aula representam um contributo significativo para a melhoria da qualidade de ensino na região. Ressaltou ainda que a adoção de técnicas de bioconstrução contribui não apenas para a educação, mas também para o fortalecimento do conhecimento técnico local, gerando infraestruturas mais resilientes às mudanças climáticas, nomeadamente chuvas intensas e ventos fortes.

Para a Justiça Ambiental, este trabalho traz um enorme orgulho e um compromisso renovado. Orgulho, por testemunhar o entusiasmo, a apropriação e a participação activa da comunidade e das lideranças locais. Compromisso, porque reafirma a missão de promover desenvolvimento comunitário sustentável, autonomia local e justiça ambiental, melhorando as condições de vida das populações que habitam a região do Monte Mabu.


Com iniciativas como esta, torna-se claro que construir com a comunidade, a partir dos recursos e conhecimentos locais, é também construir resiliência, identidade e futuro.

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