Uma lista crescente de instituições que não financiarão o projecto aumenta a pressão sobre os armadores e financiadores, enquanto permanece aberta a janela para a decisão sobre os 17 navios.
30 de setembro de 2026 (Seul) – De acordo com informações compiladas pela Justiça Ambiental! / Friends of the Earth Mozambique (JA!) e pela Solutions for Our Climate (SFOC), nove instituições financeiras confirmaram que não financiam navios-tanque de GNL ligados ao controverso Projecto Mozambique LNG. As suas posições reduzem ainda mais o grupo de potenciais financiadores para uma frota proposta de 17 navios, enquanto os armadores japoneses se aproximam de um novo prazo de encomenda no terceiro trimestre (Q3).
As nove instituições financeiras que não financiam navios-tanque de GNL ligados ao Projecto Mozambique LNG são: BNP Paribas, ING, EIFO, UKEF, Atradius, Eksfin, La Banque Postale, um importante banco comercial francês e um banco público francês de desenvolvimento.
As suas posições variam, desde exclusões específicas para determinados projectos até restrições mais abrangentes ao financiamento de navios-tanque de GNL ou ao transporte de combustíveis fósseis em geral.
As conclusões surgem num momento em que 26 organizações da sociedade civil enviaram uma carta conjunta à Mitsui O.S.K. Lines (MOL), à Nippon Yusen Kabushiki Kaisha (NYK Line) e à Kawasaki Kisen Kaisha (K Line), apelando às empresas para que não finalizem as encomendas de 17 navios-tanque de GNL ligados ao Projecto Mozambique LNG enquanto continuarem por resolver graves questões relacionadas com direitos humanos, comunidades e aspectos comerciais. As empresas foram solicitadas a responder até 6 de outubro.
As três empresas japonesas de transporte marítimo são amplamente referidas como estando próximas de um prazo no terceiro trimestre (Q3) para tomar uma decisão sobre os navios. Após a retirada do armador grego Maran Gas Maritime, a responsabilidade de decidir se o projecto deve avançar cabe agora às três empresas japonesas.
A coligação de organizações da sociedade civil cita os apelos em curso para uma investigação independente às alegações de abusos cometidos pelas forças de segurança moçambicanas que operavam nas proximidades do local do projecto em Afungi, em 2021, bem como as preocupações de longa data relacionadas com indemnizações, reassentamento e meios de subsistência das comunidades afectadas na província de Cabo Delgado. A carta observa que as investigações e os processos judiciais relacionados com estas alegações ainda estão em curso.
Embora as confirmações das nove instituições não determinem de forma conclusiva se os navios podem ser financiados, elas reduzem o grupo de potenciais financiadores num momento crítico. A JA! e a SFOC contactaram várias outras instituições bancárias e financeiras relativamente aos navios. Algumas recusaram-se a comentar transações específicas, enquanto outras não responderam de todo. À medida que as instituições financeiras se distanciam cada vez mais do projecto, permanecem dúvidas sobre quem, se alguém, estará disposto a financiar a frota.
A TotalEnergies anunciou a retoma das actividades integrais do Projecto Mozambique LNG em janeiro de 2026, depois de a situação de força maior ter sido levantada no final de 2025. Durante o Investor Day da TotalEnergies, realizado em 28 de setembro de 2026, foi anunciado que as obras no local de Afungi estavam 45% concluídas. A primeira produção de GNL está prevista para 2029.
Juliette Knighton, investigadora de Gás Midstream da SFOC, afirmou: “Nove instituições já confirmaram, pública ou privadamente, que não estão a financiar estes navios. Isso levanta naturalmente a questão: quem está a financiá-los? Se o apoio ao Projecto Mozambique LNG continuar a ser comercialmente atractivo, os financiadores deveriam estar dispostos a dizê-lo. Em vez disso, estamos a assistir a um número crescente de instituições a afastar-se do projecto, enquanto outras se recusam a esclarecer a sua posição.”
Anabela Lemos, Directora do Conselho de Administração da Justiça Ambiental, afirmou: “A retoma do projecto levou a um aumento das actividades offshore, agravando ainda mais os riscos para a vida e a segurança dos pescadores e das comunidades insulares. Ao mesmo tempo, contribuiu para impactos ambientais significativos. […] A chegada de navios adicionais poderá agravar ainda mais as já precárias condições de vida das comunidades de Cabo Delgado, particularmente daquelas que dependem directamente dos recursos marinhos para a sua subsistência. […] Mais importante ainda, se os impactos ambientais e sociais, bem como os riscos para a segurança das comunidades, não puderem ser adequadamente prevenidos ou minimizados, o projecto não deverá avançar nas condições actualmente previstas.”
Bancos como o Société Générale e o UniCredit recusaram-se a comentar o seu eventual envolvimento no financiamento dos navios-tanque de GNL do Projecto Mozambique LNG. Outras instituições, incluindo o Crédit Agricole e o Export-Import Bank of Korea (KEXIM), não responderam de todo. A lista completa das instituições que se recusaram a comentar ou que não responderam pode ser consultada aqui [Lista completa dos bancos].
Uma ligação para a carta conjunta pode ser encontrada aqui: https://drive.google.com/file/d/11CampRpImraxrpiDKHO8fhNo3ETSXW1E/view
FIM
A Solutions for Our Climate (SFOC) é uma organização independente e sem fins lucrativos que trabalha para acelerar a redução global das emissões de gases com efeito de estufa e a transição energética. A SFOC recorre à investigação, acções judiciais, mobilização comunitária e comunicação estratégica para desenvolver soluções climáticas práticas e promover movimentos de mudança.
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Para mais informações sobre o Projecto Mozambique LNG, por favor, contacte:
Kete Fumo
Especialista em Indústrias Extrativas e Direitos Humanos
JA!
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