Lançamento de estudo: “Monte Mabu: Um núcleo de biodiversidade sob crescente pressão ou ameaça de desmatamento”

A Justiça Ambiental lança hoje em Maputo, no Hotel África, o estudo “Monte Mabu: Um
núcleo de biodiversidade sob crescente pressão ou ameaça de desmatamento”, de
autoria do pesquisador Sá Nogueira Lisboa.


O Monte Mabu, localizado no distrito de Lugela, província da Zambézia, constitui um
património ecológico insubstituível, albergando cerca de 7.880 ha de floresta de montanha,
elevada biodiversidade e espécies endémicas e ameaçadas de extinção. Esta floresta não é
apenas um reservatório de biodiversidade: é também uma fonte de água, alimentos,
regulação do clima e identidade para as comunidades locais, constituindo um activo
ecológico estratégico para o país. Recentemente qualificado como Área de Conservação
Comunitária, o Monte Mabu passa a ter também um reconhecimento que reforça a
importância da participação e do papel das comunidades na sua conservação e gestão.
O presente estudo indica que, embora a área nuclear de 7.880 hectares da recém-
qualificada Área de Conservação Comunitária resista com perdas florestais limitadas (301
hectares perdidos entre 2001 e 2024), a paisagem circundante pode enfrentar uma crise
ambiental, tendo registado uma perda líquida de 22.744 hectares de floresta no mesmo
período. O estudo revela que a expansão de plantações industriais (como a seringueira)
limita o acesso das populações às terras férteis, empurra a agricultura camponesa e o
desmatamento progressivo em direção aos limites do Monte Mabu, por isso, a proteção
eficaz do ecossistema exige urgentemente um ordenamento territorial integrado, a criação
de zonas de amortecimento e o fortalecimento dos direitos e da governação comunitária
para evitar perda de floresta e da biodiversidade.


O Monte Mabu ainda resiste, mas a paisagem à sua volta está a desaparecer rapidamente.
A questão é saber se teremos a vontade política e colectiva de garantir que continue a
resistir. Adiar a acção significa permitir que as pressões que já cercam a montanha
continuem a avançar.


Acesse o estudo completo através do link: https://tinyurl.com/montemabu

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