Comunidades afectadas por plantações de monocultura fortalecem resistência na defesa dos seus territórios

Durante a primeira quinzena do mês de Junho do corrente ano, comunidades afectadas pelas plantações industriais de monocultura de árvores nas províncias de Nampula e Manica interagiram com a delegação composta pela Justiça Ambiental (JA!), World Rainforest Movement (WRM), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) do Brasil e representante da Comissão Quilombola do Sapê do Norte, Espírito Santo.

A missão teve como principal objectivo fortalecer os processos de resistência comunitária, promover intercâmbio de experiências entre povos afectados e reforçar estratégias colectivas de defesa da terra e dos recursos naturais perante o avanço das corporações florestais.

Ao longo da visita, as equipas reuniram-se com comunidades afectadas pelas empresas Florestal do Norte e Portucel Moçambique nos distritos de Ribáuè, Mecubúri, Gondola e Sussundenga. Em todos os locais visitados, as comunidades denunciaram problemas semelhantes: ocupação de terras sem consentimento livre, prévio e informado; falsas promessas de desenvolvimento; intimidações; divisão comunitária; redução de áreas agrícolas; escassez de água; e perda progressiva dos seus meios de subsistência.

Em Cavucane e Napai II, na província de Nampula, as comunidades manifestaram indignação perante alegadas consultas comunitárias fraudulentas e reafirmaram que não aceitam a entrada da empresa Florestal do Norte nos seus territórios. Após o intercâmbio com os representantes do Brasil, os membros das comunidades mostraram-se mais encorajados e organizados para defender os seus direitos sobre a terra.

Na comunidade de Mesa, os participantes denunciaram o clima de medo e intimidação deixado pelas experiências anteriores com empresas florestais. Ainda assim, o encontro terminou com uma forte demonstração de resistência colectiva, quando os participantes entoaram uma canção com uma mensagem clara e simbólica: “não comemos eucaliptos”.

Em Manica, as comunidades afectadas pelas plantações da Portucel Moçambique partilharam os impactos que enfrentam diariamente, incluindo a redução da disponibilidade de água, perda de terras agrícolas e dificuldades para garantir meios de subsistência. Em Janaque, a delegação visitou o caso de um jovem que decidiu retomar a sua terra para produzir alimentos após anos de promessas não cumpridas pela empresa.

As experiências partilhadas pelas representantes da Comissão Quilombola e do MST reforçaram que a resistência colectiva, a organização comunitária e a solidariedade entre os povos são fundamentais para enfrentar o avanço das monoculturas industriais. Durante os encontros, foram apresentadas experiências de retomada de territórios, mobilização popular, formação comunitária, denúncias públicas e acções de incidência política desenvolvidas no Brasil.

Mais do que uma simples visita de campo, a missão representou um importante passo no fortalecimento de alianças internacionais entre comunidades afectadas pelas plantações de monocultura de árvores. A parceria entre a Justiça Ambiental, WRM, MST e a Comissão Quilombola reforça a necessidade de construir redes de solidariedade capazes de amplificar as vozes das comunidades e fortalecer a defesa dos territórios, da soberania alimentar e da justiça ambiental.

As comunidades visitadas demonstraram que, apesar das intimidações e desafios enfrentados, continuam dispostas a resistir e a defender as suas terras para produção de comida, preservação dos seus modos de vida e protecção dos territórios para as futuras gerações.

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