O grito dos camponeses de Namina

Por: Melvin Arthur, Activista e parceiro da JA/Provincia de Nampula

Em 2012, numa sombra de um Cajueiro, no Posto Administrativo de Namina, distrito de Mecuburi, aconteceu uma consulta comunitária que nem sequer seguiu os parâmetros estabelecidos na lei Moçambicana sobre as Consultas Comunitárias. Depois de perderem as suas terras, e após 9 anos os camponeses assistiram ao crescimento dos eucaliptos no local que tinham as suas machambas e casas, e ao mesmo tempo recordam a forma como foram aliciadas para ceder as suas terras para a empresa Green Resources.

Segundo o que a Comunidade conta, havia uma grande confiança na altura que a empresa chegou, porque o representante deles que era o regulo Kanhawa, da comunidade com o mesmo nome “Kanhawa”, testemunhava com toda certeza que ali estava a empresa que vinha aliviar varias preocupações.

“Recordo que este encontro aconteceu uma única vez, e foi desta vez que foi colhida a assinatura dos participantes. Hoje acredito que o regulo havia recebido suborno” contou uma Mamã que fez parte daquele encontro.

Para ganhar a generosidade do povoado, a empresa tirou 300 Mt para compra de pães para o consumo de 90 participantes do encontro. Com esta acção, 200Ha quadrados foram entregues à empresa sem sobressaltos.

Havia a promessa de construção de uma escola de raiz, estrada e hospital. Portanto, a única coisa que foi feita foi a abertura de dois furos de água, que funcionou por apenas um mês e nunca mais ninguém apareceu para reparar.

O local onde se tirava água por um mês, se transformou num local para as crianças brincarem hoje.

Actualmente os eucaliptos crescem, e a comunidade tem um limite de circulação naquela área. O espaço tornou-se numa mata perigosa onde quando chega as 17h00 ninguém pode circular por causa do medo e do crescente número de assaltos.

Estes afectados gritam, gritam por arrependimento, gritam por se sentirem enganados, gritam por verem as suas crianças que estudam ao lado dos eucaliptos e nem sabem se os mesmos vão beneficiar de carteiras escolares, é um grito de socorro que nem sabem se alguém vai aparecer para esclarecer já que nem sequer um unico trabalhador existe naquele lugar ha sensivelmente 8 anos .

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